Na seca ou nas águas, planejamento é sinônimo de eficiência

Estratégias nutricionais adotadas ao longo do ano ajudam a manter desempenho dos bovinos, antecipar resultados reprodutivos e aumentar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis na dieta.

A seca e as águas são fenômenos anuais que se alternam e impactam os sistemas pecuários brasileiros e, por isso, não devem ser tratados como surpresa dentro do planejamento da fazenda. A diferença entre propriedades que atravessam esses períodos com maior eficiência e aquelas que enfrentam perdas de desempenho está na capacidade de antecipação. E construir uma estratégia nutricional antes da chegada dos desafios faz parte desta estratégia.

Quando o assunto é a seca, o planejamento deve começar ainda durante o período das águas, quando há maior disponibilidade de forragem e melhores condições para estruturar o sistema. Entre as medidas estão o ajuste de lotação, a formação de reservas de alimento e a definição antecipada da estratégia de suplementação.

“Quem se prepara consegue manter uma curva de ganho mais constante e aproveitar melhor o potencial do animal. Já quem reage somente quando o pasto perde qualidade normalmente enfrenta queda de desempenho, maior tempo de permanência na fazenda e necessidade de intervenções mais caras. No final, isso aparece diretamente no custo da arroba produzida”, explica Emanuel Oliveira, Gerente de Produtos Ruminantes na Trouw Nutrition Brasil.

Período das águas também exige atenção à suplementação

Independentemente do nível tecnológico da propriedade, as exigências nutricionais variam conforme a categoria, raça, peso e objetivo produtivo do bovinos. A suplementação mineral tem papel fundamental no desempenho, na reprodução, na imunidade e no aproveitamento dos nutrientes presentes na dieta.

Durante as águas, o desafio nutricional muda. Um dos desafios enfrentados pelos pecuaristas está relacionado ao manejo do suplemento em condições de campo, especialmente durante períodos chuvosos e em propriedades com estruturas mais simples de cocho.

Apesar da maior disponibilidade de forragem, o planejamento da suplementação continua necessário, principalmente para garantir o consumo adequado nesses períodos. Nesse cenário, tecnologias que aumentam a estabilidade do produto diante da umidade contribuem para reduzir perdas e manter a regularidade no fornecimento. A tecnologia DRY, desenvolvida pela Trouw Nutrition, por exemplo, atua justamente nesse ponto, aumentando a resistência do suplemento à ação da água durante períodos chuvosos e permitindo maior estabilidade no cocho.

Segundo o especialista, as perdas provocadas pela chuva não devem interromper o fornecimento do suplemento. “Não podemos considerar o não oferecimento dos suplementos com o receio de perder o produto em razão da chuva. A tecnologia Dry está disponível para auxiliar os pecuaristas”, ressalta.

Intensificação da cria aumenta demanda por precisão nutricional

A evolução dos sistemas de cria tem ampliado a busca por maior eficiência reprodutiva, incluindo estratégias de antecipação da idade à primeira reprodução das fêmeas. Esse movimento exige ainda mais precisão no planejamento nutricional.

Durante o Circuito Cria 2025, a pesquisa-expedicionária que visitou propriedades referência na produção de bezerros, 78,0% das fazendas avaliadas trabalhavam com o desafio de emprenhar fêmeas entre 12 e 16 meses.

Essa estratégia representa uma mudança importante no manejo, pois a novilha precisa atender simultaneamente duas demandas: continuar seu crescimento e alcançar maturidade reprodutiva.

“Estamos falando de uma fêmea que ainda precisa crescer, ganhar peso e, ao mesmo tempo, atingir desenvolvimento corporal e reprodutivo suficiente para emprenhar precocemente”, explica Emanuel.

Para alcançar esse objetivo, a nutrição precisa ser planejada desde a desmama, com metas de peso e ganho de desempenho definidas ao longo do ano. O fornecimento adequado de nutrientes permite que a fêmea expresse seu potencial produtivo sem comprometer seu desenvolvimento. “Quando bem conduzida, a prenhez precoce reduz a idade ao primeiro parto e aumenta a eficiência produtiva da matriz ao longo da vida. Quando mal planejada, pode comprometer tanto o desempenho reprodutivo quanto o desenvolvimento da própria fêmea”, destaca.

Eficiência nutricional passa pelo melhor aproveitamento dos nutrientes

A busca por maior produtividade também tem impulsionado a evolução das tecnologias utilizadas na suplementação mineral. Nesse contexto, os hidroxi-minerais representam uma alternativa voltada não apenas ao fornecimento de minerais, mas ao aumento da eficiência de utilização desses nutrientes pelo bovino. A diferença está na forma como esses minerais interagem dentro do organismo. Enquanto fontes mais solúveis podem apresentar maior interação no ambiente ruminal, os hidroxi-minerais possuem uma estrutura química diferenciada, proporcionando maior estabilidade e menor interferência sobre outros componentes da dieta.

“Quando falamos em minerais, não devemos olhar apenas para a quantidade fornecida, mas principalmente para a fonte e para o quanto desse mineral efetivamente poderá ser utilizado pelo animal”, explica.

Outro ponto de destaque está relacionado ao aproveitamento da fibra, principal componente da dieta dos bovinos criados em sistemas de pastagem no Brasil. “Quando melhoramos a utilização da fibra, estamos potencializando justamente o principal alimento dos bovinos nos sistemas brasileiros, que é a forragem. Estudos comparando hidroxi-minerais com sulfatos mostram melhora na digestibilidade da matéria seca e da fibra, sem necessariamente aumentar o consumo. Ou seja, buscamos retirar mais nutrientes da mesma dieta”, afirma.

“Gosto de enxergar os hidroxi-minerais não apenas como uma fonte alternativa de cobre, zinco e manganês, mas como uma ferramenta nutricional para aumentar a eficiência do sistema”, completa.

Com planejamento nutricional, tecnologia e manejo adequado, a nutrição passa a integrar a gestão estratégica da pecuária, permitindo maior previsibilidade nos resultados produtivos e reprodutivos ao longo do ano.



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